domingo, 8 de março de 2020

Parabéns a todas as Mulheres




08 de Março dia Internacional da mulher
Foto: Janaleocadio.


A data é celebrada oficialmente desde 1975, mas sua origem remonta do início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.

Lembremos desse fato, porque hoje o dia da mulher mais parece uma forma da sociedade maquiar a real situação que a mulher vive, as brasileiras vivem em um dos países mais violentos para as mulheres, segundo site da BBC nos últimos 12 meses, 1,6 milhões de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%)  passaram por algum tipo de assédio. Dentro de casa, a situação não foi necessariamente melhor. Isso falando em âmbito privado dentro dos lares onde essas mulheres deveriam estar seguras. Por isso, hoje a homenagem do Carta Ilhagrandense para mulheres não vem carregadas de clichês, que são usados todos os anos. Queremos uma sociedade mais igualitária e principalmente com mais respeito para as mulheres, não adianta dar flores, presentes ou cartões com frases batidas, se você contribuí para que as mesmas sejam cada vez mais oprimidas.

O 8 de março é um dia de luta, é um dia lembrar todas que vieram antes de nós e que muito lutaram para os direitos que temos hoje, mas manas digo à vocês, muito ainda há de se caminhar e essa caminhada só será vitoriosa se olharmos para cada mulher como companheira de luta e de vida, por que o ser mulher muito mais nos aproxima do que nos separa e Todas nós somos forte, mesmo quando acreditamos que não temos mais forças para lutar.

Queremos que cada um relembre agora todas as mulheres extraordinárias da sua vida, aquelas que até hoje nos servem de inspiração. Imagine nesse nosso Delta por entre as águas desse rio, quantas mulheres enfrentam o medo, o sol e a natureza para levar para casa o sustento da família, quantas rendeiras passaram horas jogando bilros entre seus dedos para criar uma arte, que além de significante culturalmente se tornou sua fonte renda,  quantas mulheres saem da sua casa para levar  alegria com dança e musica a outras famílias, quantas ilhagrandeses se dedicaram e se dedicam a educação do nosso lugar! E as novas gerações de mulheres o que tem a nos ensinar?

Enfim... Durante esse mês da mulher o Carta Ilhagrandese selecionou algumas figuras do universo feminino da nossa cidade, para representar as mulheres da cidade em uma série de textos. Nosso desejo era contar história de cada mulher, pois todas são importantes, mas espero que sintam-se representadas e orgulhosas do espaço que muitas mulheres da nossa Ilha estão conquistando.


Ilha Grande - PI, 08 de março de 2020
Carta Ilhagrandense.


sábado, 7 de março de 2020

Sobre os movimentos politicos




     III - EMANCIPAÇÃO EM VERTIGEM: Ilha Grande está mesmo emancipada??

Arquivo pessoal Henrique Sertão

Ilha Grande - PI, 01 de janeiro de 1997. O  desfile que vemos acima ilustra a nova cidade no final da década de 90, ao fundo da imagem vemos o que hoje é uma padaria, uma farmácia e uma mercearia. Em plano mais próximo ao fotografo, a esquerda da foto, está a Unidade Escolar Marocas Lima, onde acabaram de ser empossados os vereadores: Antônio de Pádua dos Santos Carvalho (Antônio Almir)(PPB), Antônio José Carvalho de Farias (Zezé)(PFL), Raimundo Nonato dos Santos Souza (Nonato Lino)(PSDB), Manoel Carvalho Nascimento (Manoel Loiro)(PT), Francisco José da Costa (Prego)(PSDB), Alberto Jorge da Costa Carvalho (Betinho)(PFL), Francisco José Gomes Oliveira (Neto do Zé Toinho)(PPB), João Batista Costa Gomes (Batista Gregório)(PSDB) e Rogério Linhares Costa (PFL); o prefeito e seu vice José Osmar da Silva Filho (Professor Osmar). No momento da foto, o povo passava em frete ao que hoje é a Colônia de Pescadores Z7 e seguia em direção as instalações da nova Câmara Municipal.

 Com toda luta do povo, cujo o sofrimento mostramos no primeiro texto (O brado de Isabel e Mariana) e todas as negociações, sobre os dotes que a Ilha teria que pagar para os políticos parnaibanos que vimos no segundo (O processo de divisão da Ilha), nessa data Henrique Penaranda Sertão Machado (Henrique Sertão)(PSDB), tomou posse como primeiro mandatário de 122 km2 dentro da Ilha Grande de Santa Isabel (total 240 km2) no extremo norte do estado.

Além do empossado, disputaram para ser chefe do poder executivo: Carlos Alberto Vieira De Sousa (Doutor Carlos)(PTB), citado durante nossas entrevistas como um dos responsáveis pelo “Grupo do NÃO”, recebendo 228 votos; José Ferreira De Oliveira (Zequinha Conceição)(PPB), hoje dono de uma das primeiras padarias da cidade, recebeu o voto de  589 eleitores; Magno Antônio Brito Costa (Magno Brito)(PT),  militante no Partido dos Trabalhadores desde a época pré-emancipação, cativou apenas 688 votos, mas manteria frequência nas campanhas eleitorais seguintes; Paulo Rogério dos Santos Souza (Paulo Rogério)(PFL) conquistou o segundo lugar naquele ano com 848 votos, perdendo a primeira colocação por uma diferença de menos de meia centena.

Henrique Sertão se fixou como residente da Ilha, já com o processo de emancipação em andamento. Durante entrevista com os pesquisadores do Carta Ilhagrandense, ao ser perguntado se havia participado do movimento de emancipação, eles diz:

Quando eu cheguei aqui em 1991, o movimento de emancipação já existia, certo. Ele foi iniciado realmente nos anos 80, depois de 85. Mas participei ativamente da emancipação quando se reuniam ainda poucas pessoas, eram 8 pessoas que se reuniam, geralmente ali do lado da igreja.”

Responsável por trazer o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para Ilha Grande, após a emancipação, o tucano agregou filiados para seu partido no período de 1994 à 1996, pois sabia que para ser eleito deveria redirecionar o apoio popular que até então estava com o PT. Quando questionado sobre a formação dos partidos políticos dentro da Ilha, fala que:

Até então havia um só partido como um todo e o PT já era estruturado. Mas eu, particularmente, já fazia parte de um partido político que era o PSDB, só que eu ainda estava em Parnaíba. Ai quando houve essa emancipação política, eu trouxe o partido para cá. Trouxe o Partido do PSDB para o município e filiamos algumas pessoas...”

           Com isso, o administrador de empresas, Henrique Sertão, manteve-se no poder nos períodos de 1997 à 2000 e de 2001 à 2004, quando praticamente duplicou o número de eleitores, recebendo 1770 votos na sua reeleição.






Arquivo pessoal Nonato Lino

Mesmo emancipada, a política ilhagrandense sofreu influências da velha politica parnaibana. Na foto registrada em julho de 1997, em uma reunião no Porto das Barcas na cidade de Parnaíba, podemos ver os vereadores Antônio de Pádua dos Santos Carvalho (Antônio Almir) e Raimundo Nonato dos Santos Souza (Nonato Lino) ao lado de Mão Santa, que na época estava em seu primeiro mandato como governador do estado. Antônio de Pádua era então, o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Ilha Grande, aos 22 anos foi eleito com 136 votos, consagrando-se como o vereador mais bem votado daquele pleito. Sendo eleito o chefe do legislativo foi ele quem empossou os primeiros políticos da cidade. Dona Marlene Maria Rodrigues de Souza, esposa de Nonato Lino, ali de frente para o fotografo, ocuparia uma das cadeiras do plenário ilhagrandense entre os anos 2013 e 2016, sucedendo assim seu marido que ficou por 8 anos como vereador na cidade. A filha do casal, Arady Rodrigues de Souza, senta-se na cadeira de seus pais no atual mandato e foi quem presidiu a Casa durante o ano passado (2019).


Arquivo pessoal Magno Brito


No dia 26 de janeiro de 1994, quando o então governador do estado do Piauí sancionou a lei que emancipou Ilha Grande, foi registrada essa fotografia, nela aparecem Paulo Rogério (de camisa semiaberta) e Magno Brito olhando em direções opostas. O primeiro já disputava campanhas eleitorais para vereador nas eleições parnaibanas antes da emancipação e o segundo galgou sua carreira política junto ao PT da cidade. Rivais nas duas primeiras eleições, 2º e 3º lugar respectivamente, uniram-se em 2004 e com 2.578 votos ficaram no poder de 2005 à 2008. A população deixou Maria José dos Santos Monteiro (Profª Mazé)(PSDB) em terceiro lugar na campanha, com 1.172 votos a aposta de continuidade do PSDB no poder falhou aquele ano. Para o segundo lugar os ilhagrandenses reservaram 1.583 votos e com apenas 2 mandatos de vida política, as portas da prefeitura observaram, imparcialmente, a aproximação de sobrenomes da velha política parnaibana. Relembre nossos textos com a fala de Magno Brito e de José de Ribamar Costa (Zé Espanhol) sobre a divisão do território durante entrevista com os pesquisadores:

 “Inclusive tem um fato que eu quero colocar para vocês, aqui a Ilha com o Projeto original, era toda a Ilha com a divisão do Oceano Atlântico, Rio Parnaíba e Rio Igaraçu. O projeto apresentado inicialmente foi esse. E o João Silva e o Moraes Souza apresentaram uma emenda, dividindo a Ilha. Alegando que Parnaíba não poderia ficar sem praia. E no dia da votação marcada, eles entraram com essa emenda. Não teve como emancipar ela toda, então a Ilha ficou dividida.” Magno Brito.



“Porque eu mais o Dr. Carlos queríamos que fosse a ilha toda, nos iriamos entrar lá pra brigar por isso. Nós fomos expulsos e não tivemos voz e nem vez. O irmão do Herbert Silva chamado João Silva Neto, Deputado, impôs e nós aceitamos, mas tirando a Pedra do Sal e ficando esse negócio aqui e eu com o Dr. Carlos nos levantamos também, porque isso não estava certo, essa imposição. E ficou do jeito dele, porque ele era Deputado.”
Zé Espanhol



Herbert de Moraes e Silva (Herbert Silva)(PMDB), carregando os sobrenomes mencionados nos trechos, disputou como candidato a prefeito a segunda vez na campanha de 2008 e mais uma vez perdeu o primeiro lugar, dessa vez para a ex primeira dama Joana D’arc Ribeiro Machado(PSDB), a senhora de azul da primeira imagem ganhou a confiança de 1.522 eleitores e ficou como chefe do executivo municipal entre os anos de 2009 e 2012.



Herbert Silva no centro da imagem, abraçando Paulo Rogério e a irmã "Raimundinha do Paulo Rogério".

No dia 07 de outubro de 2012, comemoraram ao fim da contagem dos seus 2.253 votos depositados nas urnas ilhagrandenses, o atual prefeito da cidade Herbert Silva e o ex prefeito Paulo Rogério, que havia indicado sua irmã para a posição de vice, e assim chefiaram durante o seu primeiro mandato que durou de 2013 à 2016.  A coligação deixou para trás José Hélio de Carvalho Oliveira (Dr. Hélio)(PSD), o especialista em anestesia, nasceu em Canto do Buriti e cativara boa parte dos ilhéus ao prestar auxílio médico, tanto que conquistou 1.786 votos. Dr. Hélio disputou campanha para deputado estadual do Piauí e conseguiu a vaga nas eleições de 2014.


O então candidato a reeleição Herbert Silva em discurso na campanha de 2016, entre Edmar (Sargento) e Paulo Rogério.

         Para as eleições de 2016, Herbert Silva mudou sua estratégia e coligou-se com o PR (Partido da República), apoiado por Dr. Hélio, que na época já estava em segundo ano de mandato, desfez sua união com Paulo Rogério e recebeu como vice o vereador Edmar Pereira dos Santos, ele que exerceu dois mandatos pelo Partido dos Trabalhadores, acabara de se filiar ao PR e foi aposta certa. Marina Brito (PSDC), a segunda colocada naquele ano, aposentada pelo INSS, já é pré-candidata em 2020. Ela concorrerá com Bernadete Leal de Souza (Bernadete Leal, atual secretária de saúde do município), que tentou uma vaga no legislativo parnaibano na eleição passada(2016) pelo PR, será  cotada para dar continuidade a amizade entre Silva e Hélio.

Para fechar o movimento político ilhagrandense até a atualidade, deixamos mais um trecho da entrevista com senhor José de Ribamar (Zé Espanhol):


“Aceitaram (a emancipação com a divisão), mas agora por que tem um prefeito aqui que era contra? Que independência eles trouxeram de Paranaíba para cá? Ainda não assumiu nenhum prefeito de Ilha Grande: Henrique Sertão do Maranhão, Joana D’Arc é de Parnaíba, Paulo Rogério da Goiabeira do Maranhão. E cadê essa independência?” ... “Eu não fui contra a emancipação, entendeu? mas a maneira que foi imposta.”


Vivemos em um país que, em redes sociais esbraveja conhecimento político, mas em que cenas como essas, apresentadas nesse conjunto textual, emudece e se deixa entorpecer por falsa democracia. Somos sujeitados a fazer uma escolha, que de fato não almeja o mesmo que o povo. Os estranhos em que votamos, são pessoas que desejam o ganho pessoal, que fazem investimentos e visam retorno: lucro, poder. Um dos leitores deste blog questiona a emancipação de nossa cidade e crítica a ação:  “não adiantou de nada, infelizmente continua um lugar dependente de Parnaíba em todos os sentidos”. “... continua um lugar dependente...” ao invés de: “...continuamos um lugar dependente...” mostra o quanto o autor da frase sente-se distante da condição de: cidadão; morador; ilhéu; povo. “Não adiantou de nada”. Na escola do pobre não ensinam o significado de independência. 
Como uma criança aprendendo a caminhar, Ilha Grande, uma hora aprenderá a desprender-se do corpo da mãe, irá correr e arrancar tampões dos joelhos. Esperamos estar por aqui para acompanhar seus primeiros passos independentes. 








Ilha Grande – PI, 07 de março de 2020
Carta Ilhagrandense.

Dos Autores ao povo.




Agradecimentos
O Carta Ilhagrandense agradece ao Senhor Henrique Penaranda Sertão Machado e sua esposa Joana D'arc Ribeiro Machado, por sua disponibilidade em receber os pesquisadores e fornecer um acervo fotográfico tão importante para ilustrar nosso texto. Junto ao senhor Henrique agradecemos ao senhor João Batista Costa Gomes, que explicou tão bem os movimentos políticos durante a entrevista e ao senhor José Osmar da Silva Filho, que nos doou seus escritos, fonte de pesquisa. Ao senhor Magno Antônio Brito Costa, que junto a sua família  nos concedeu  tempo e  fala, além de imagens de grande importância para ilustrar o momento histórico.  Ao senhor Raimundo Nonato dos Santos Souza e sua esposa Marlene Maria Rodrigues de Souza, que aceitaram dividir suas fotografias. Ao nosso amigo Antônio de Pádua dos Santos Carvalho, que durante o desenvolvimento dos textos, ouvia de bom grado os questionamentos, nós fornecendo sempre ajuda. Ao nosso colaborador Alberto Jorge da Costa Carvalho, que também nos cedeu textos fonte.  À Paroquia Nossa Senhora da Conceição, que graças aos cuidados de Padre Pedro Quiriti resguardou boa parte da documentação que usamos na pesquisa. À Câmara Municipal por nos fornecer a maquina para digitalização de alguns documentos. Aos amigos e cônjuges, por entender nosso empenho. À todos os leitores e apoiadores.
Nosso muito obrigado!!!  



Propostas do então, candidato a Vereador na cidade de Parnaíba, Paulo Rogério em 1992.
Arquivo da Paroquia. 


Fichas de filiação do PSDB de 1995.
Arquivo pessoal Henrique Sertão.

Abertura da Câmara Municipal de Ilha Grande 01/01/1997.
Arquivo pessoal Henrique Sertão.


Pose para foto de costas para a igreja Nossa Senhora da Conceição e de frente para a Câmara Municipal 01/01/1997.
Arquivo pessoal Henrique Sertão.




Foto da Galeria dos Presidentes da Câmara Municipal de Ilha Grande.



Primeira formação do plenário Ilhagrandense 1997. 
Arquivo pessoal Henrique Sertão.

Interior da Câmara, Vice-Prefeito, Prefeito e Primeira Dama, aguardam para compor a mesa de honra, 1997.
Arquivo pessoal Henrique Sertão.



Primeiros ocupantes dos Poderes Legislativo e Executivo.
Arquivo pessoal Henrique Sertão.

Palanque do PMDB no ano de 2012, Herbert Silva em seu discurso e Paulo Rogério levanta os polegares para o registro. Ao fundo podemos observar a imagem de divulgação da dupla, até poucos dias antes da eleição, quando a candidatura de Paulo foi impugnada, momento em que ele indicaria sua irmã para a vaga.

Herbert silva e Paulo Rogério pousam para foto nas comemorações do aniversário de 20 anos de Ilha Grande.

Mão Santa, Herbert e Paulo.
O secretário estadual de justiça Daniel Oliveira, deputado Dr. Hélio, governador Wellington Dias, prefeito Herbert Silva e primeira dama Michele Freitas.
Edmar Pereira dos Santos e Herbert Silva Pousam para foto no dia da posse 01/01/2017.
 Vereadora Arady Rodrigues de Souza e seus pais, o ex vereador Nonato Lino e a ex vereadora Marlene Rodrigues.


Perfil do Facebook de Marina Brito. A imagem mostra onde a pré candidata diz morar.

Dados da ex candidata a vereadora parnaibana Bernadete Leal, pré candidata a prefeita em Ilha Grande.







domingo, 1 de março de 2020

Leitura Complementar: POR TRÁS DA PEDRA, O MAR E O SOL.


Créditos: Conheça o Piauí                            

POR TRÁS DA PEDRA, O MAR E O SOL: O caso da comunidade Pedra do Sal Parnaíba/Pi
Denilson Damasceno Costa
Bacharel em Turismo pela Universidade Federal do Piauí, e-mail: denilsoncosta.ufpi@gmail.com/ contato:(86) 994494859.
RESUMO
Praia da Pedra do Pedra do Sal, comunidade situada a 17 km da cidade de Parnaíba no estado do Piauí, o povoado é considerado zona rural da cidade, potencial turístico por estar nas proximidades do Delta do Parnaíba e com atrativos naturais inexplorados como trilhas ecológicas, o uso das lagoas que se formam no inverno, o artesanato, os passeios pela praia e encontro das águas, citando também a própria história local e a paisagem exuberante do pôr do sol. Este resumo pretende mostrar um pouco da realidade desta comunidade e as transformações sociais e “políticas” locais. Logo surge o interesse pelo tema enquanto pesquisador e morador deste bairro relatar através de vivencias do cotidiano com um olhar mais nas questões sociais, econômicas e políticas, no que diz respeito ao não desenvolvimento da Pedra do Sal. É de suma importância salientar que há poucas pesquisas relacionados a temática.
BREVE RELATO SOBRE O MODO DE VIDA DA COMUNIDADE PEDRA DO SAL
Situada na área litorânea da APA do Delta do Parnaíba na cidade de Parnaíba - Piauí, uma comunidade onde os moradores praticam a pesca artesanal, o cultivo de produtos orgânicos para uso próprio, o comércio e o “turismo,” que por anos são sua fonte de renda. Podemos dizer que Pedra do Sal tem mais que a pedra, o mar e o sol, existe história e memória no local. Os moradores tem uma apropriação afetiva com o ambiente onde vivem. Costumo dizer que é similar ao filme “Bacurau”, a forma com que as pessoas se apegam ao seu lugar de moradia e a forma como são vistos e tratados pela gestão municipal.
Assim, percebe-se ao pisar no solo da comunidade que ali todos se conhecem, todos se protegem, estão trabalhando em comunidade, mesmo que exista as intrigas pessoais. Meus pais dizem ser um paraíso, que não há segurança policial, mas não tem criminalidade, não há saneamento, mas as pessoas se preocupam com seu ambiente, não há infraestrutura, mas fazem a sua própria, vamos dizer que a gestão fornece o básico do básico.
UMA VISÃO SOBRE ECONOMIA
Pedra do Sal é uma comunidade resistente, nos anos de 2005 à 2007, a comunidade costumava ir para “os matos”, esse era o termo para definir a época da colheita do caju, murici e do guajirú, sem esquecer da período de caça, que atualmente não mais existe. Essas atividades ajudavam a comunidade a se estabelecer economicamente, pois retiravam o caju para vender a castanha e um rapaz que morava na cidade de Ilha Grande passava para comprar esse produto. 
Os donos de bares já se estabeleciam na época, pois existia fluxo de turistas e visitantes, maior que no dias atuais, comercializavam bebidas e o pescado da região, eram tempos bons para a comunidade, comparado ao descaso que é dado na atualidade. Os interesses da gestão e os “donos das terras” nunca foi  o desenvolvimento  comunitário.
O comércio sempre foi a melhor saída para o desenvolvimento, é possível perceber comparado ao ano de 2004 que existia aproximadamente 2 ou 4 mercearias, hoje há entorno de 13, a atividade da pesca já não é mais a única saída para as novas gerações, com as oportunidades e as transformações sociais e tecnológicas, tudo começa a mudar.
EDUCAÇÃO
 Para a educação infantil uma creche nomeada de “João Severo” e  uma escola  de nível fundamental menor,   “Escola Municipal Dr. João Silva Filho”. Essa última que ostenta o sobre nome Silva, oferta apenas metade do ensino fundamental e depois exige que os alunos se desloquem para as cidades de Parnaíba ou Ilha Grande, com as dificuldades que vem sofrendo nos últimos anos relacionado ao transporte escolar, é possível perceber que muitos dos estudantes hoje preferem se deslocar para as escolas da Ilha Grande..
Em 2017 foi inaugurado o Centro de Educação Janela Para o Mundo, criado pela Ômega Energia na comunidade Labino – Ilha Grande do Piauí, que oferta cursos de capacitação e reforços escolares, e que atendem toda região incluindo a Pedra do Sal.
OS ASPECTOS POLÍTICOS
A comunidade está em constante resistência para garantir seu espaço, é de conhecimento comum que as terras praieiras são de domínio “familiares”, estas que não cedem de forma alguma para a comunidade, por conta disso, houve durante anos e até atualmente, ameaças de retomar a terra, e proibição de construções para os moradores. A Pedra do Sal ia crescer em algum momento, existe um ciclo natural da vida.
Como a gestão e os políticos estão perante a essa situação? Bom, não há, nenhum vereador ou qualquer outro político presente na comunidade, nem o próprio prefeito, vamos dizer que aparecem em algumas ocasiões como o ano de eleição e o São João nos bairros. Um potencial atrativo turístico natural sendo abandonado.
Entretanto no ano de 2019 a tentativa de revitalizar a praia não funcionou! Por conta dos problemas sociais e políticos, a comunidade não queria sair de suas atividades de renda e abandonar seus bares, onde foi ofertado uma mudança na produção e oferta de produtos. O projeto contemplaria apenas 10 bares, sendo que há entorno de 25, incluindo os quiosques, um espaço para evento e um centro de artesanato, sendo que o que gera lucro na praia são os bares e restaurantes. Não que a reconstrução seria algo ruim, porém contradiz os anseios dos moradores.
Assim, levanto uma possibilidade enquanto morador, que poderia ter acontecido anos atrás, e se Pedra do Sal estivesse dentro do processo de emancipação junto à comunidade de Ilha Grande? Teria sido melhor articulado os interesses políticos e sociais? Por estar mais próximo as duas comunidades, o incentivo seria melhor no Turismo, os problemas relacionado as terras teria sido menos implicantes? Provavelmente. Sem dúvidas que seria em um processo lento, mas será que anos? E só ofertaria os serviços básicos?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Contudo, Pedra do Sal permanece em seu estado de abandono, não se pode dizer com certeza o que teria acarretado se estivesse dentro dos bairros da Ilha Grande do Piauí, mas a única certeza que nós temos é que ainda falta muito pra ser um bairro pertencente a cidade de Parnaíba sem estar na categoria rural, e para o turismo o mesmo, sem infraestrutura básica com qualidade. Esse texto foi escrito baseado nas vivências, e com influências de autores da antropologia e etnografia que demonstram e buscam compreender a realidade do homem e o seu papel na sociedade, o que enriquece mais ainda este relato. Além disso, despertar o interesse por temáticas sociais das comunidades minimizadas pelo próprio sistema. E até quando esses problemas se prolongarão?


Fontes:
URIARTE, Urpi Montoya. O que é fazer etnografia para os antropólogos. Ponto Urbe: Revista do núcleo de antropologia urbana da USP, 2012. Disponível em: http://pontourbe.revues.org/300 . Acesso em 25 de novembro. 2019.
MAGALHÃES BATISTA, Cláudio. Memória e Identidade: Aspectos relevantes para o desenvolvimento do turismo cultural, Caderno Virtual de Turismo, Vol. 5, núm. 3, p. 27 – 33. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 2005.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Reflexões sobre como fazer trabalho de campo. Sociedade e Cultura, v. 10, n. 1, p. 11 – 27. Jan./jun. 2007.
BACURAU. Direção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Rio de Janeiro: Globo Filmes, 2019. 132 min.