domingo, 23 de maio de 2021

MINHAS MEMÓRIAS DE INFÂNCIA - CAL/1970

 

Caro leitor, que saudade!

2021 tem se mostrado um ano tão cheio quanto seu antecessor, nós temos nos empenhado para o Carta continuar com, pelo menos, duas postagens mensais e pedimos desculpas pelo sumiço. Em meio a vários projetos pessoais e comuns dos membros da equipe, estamos organizando as perdas e transtornos ainda vividos, então peço-lhes a compreensão.

Contudo, para não dizer que tudo são males, informo a todos que temos um projeto no You Tube, no canal Carta Ilhagrandense, deixarei o link no final do texto. Lá estão postadas: todas as lives; o Debate Político de 2020 completo; e o projeto para a discussão de temas relevantes da sociedade, tendo como tema inicial “Os Padrões de Beleza Feminina Atuais”. Assim, contamos com seu apoio lá também. A equipe está engajada em um grupo de estudos chamado Filhos do Delta, buscamos compreender o Delta e as relações existentes nesse emaranhado de ilhas e aguardamos ansiosos o fruto do nosso empenho, então esteja conosco! O texto de hoje já é um fruto suculento desse novo espaço. Unindo as gerações mais distantes, o grupo faz despertar o entendimento que cada um tem da Ilha (cidade) e das ilhas (delta).

O senhor João Batista Sales é ilhagrandense, tem 52 anos e há 33 mora no Distrito Federal. Em nossos encontros, sempre mostra a Ilha que ele conheceu e que até hoje guarda consigo. Sugerimos ao Batista, a produção de um relato de vida, ou seja, que ele contasse algumas de suas vivências nessas terras, e ele topou. Diz que seu maior sonho é voltar a morar em Ilha Grande, nossa cidade hospitaleira que, como uma mãe, saberá receber seu filho de volta.

Você até pode pular essa parte e ir direto para as memórias do senhor Batista, mas acredito que uma pequena introdução, dando algumas informações fundamentais sobre como era a Ilha, principalmente para os leitores que talvez não conheçam nossa cidade, não fará mal. 

Na época das memórias, o território que compreendemos como a cidade de Ilha Grande era apenas um salpico de casas dividas em povoados: Tatus, Cal, Baixão, Morros da Mariana, Canto do Igarapé, Labino e Barro Vermelho, são exemplos de comunidades que vingaram e consagraram-se bairros após a emancipação política de 1994. Algumas comunidades como Cutia e Cana Brava tinham, proporcional à época, números consideráveis de habitantes. O fato é que o morador da Ilha era um produtor em potencial. Da cana de açúcar ao arroz, da criação de gado ao extrativismos vegetal, logo, era mais conveniente morar próximo à sua fonte de renda. Ocorreu que, com o enfraquecimento desses mercados e com o crescimento da mobilidade urbana, as famílias tenderam a migrar do extremo norte da Ilha para comunidades mais centrais. Ainda em meados dos anos 90, as últimas famílias abandonaram a Cana Brava; o Cutia, por sua vez, apresenta resquícios de ocupações de outrora, como é exemplo a moradia do senhor Pedro Militão.

Com exceção dos Morros da Mariana, que nesse período já tinha expressivo número de habitantes, noticiado inclusive em jornais, as casas que formavam os povoados eram distantes umas das outras, separadas por matas de árvores nativas. Eram habitações de taipa, sem água encanada e com luzes de lamparina; o piso era de areia branca, portas de esteira de palha. As mães lavavam roupas no rio e nas lagoas, rodeadas de crianças, enquanto os pais estavam nas roças com os filhos adolescente. Não havia ruas, somente veredas, portanto, sem carros e com fluxo fluvial bem mais utilizado para escoar a produção ao invés do entretenimento. Dito isso, apresentamos a seguir os relatos de memória de João Batista. Boa apreciação!





MINHAS MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

A década de 1970 foi marcante na infância de todos aqueles que eram crianças nascidas e criadas em ILHA GRANDE/PI. Estávamos descobrindo as curiosidades do mundo de nosso pequeno povoado, muitas novidades começavam a chegar ali, duas são as mais marcantes: a chegada da energia elétrica e a construção da tão esperada ESTRADA, mas vamos falar disso no final da nossa conversa.

Falaremos especificamente de minha comunidade, o CAL, cujas terras eram divididas entre as seguintes famílias: os THÓMAS, representados na pessoa do senhor ESTENÍL; a família GALDINO, representada na pessoa de Patriarca, o senhor FRANCISCO GALDINO (Chico Galdindo); mais ao centro estava uma parte da família PEDRO, representado pelo seu patriarca, o senhor MANUEL PEDRO; e já na divisa com o Tatus situavam-se as terras dos VICENTES, representados pelo seu patriarca, o senhor JOSÉ VICENTE, vulgo Zé Vicente.

Nessa época, os moradores que não fossem parentes de primeiro ou segundo grau dessas famílias eram agregados. A família dos SUPRIANAS, a qual eu faço parte, era agregada do senhor ZÉ VICENTE, morávamos onde hoje os morros brancos já chegaram, à beira da estrada, ou seja, na extrema do CAL com o TATUS.

Foi neste pedaço do CAL que passei boa parte de minha infância, o ano era 1974 e foi quando pela segunda vez, meu pai conhecido pela alcunha de ZÉ MARRECA viajou para tentar a sorte na construção da CAPITAL FEDERAL. Minha MÃE, grávida do terceiro filho, ficara mais uma vez sozinha e assim como ela, muitas mulheres que eram conhecidas como as VIÚVAS DE MARIDOS VIVOS; isso porque seus companheiros viajavam em sua maioria para BRASILIA, local a mais de dois mil e cinquentas quilômetros dali.  Dessa forma, a vida que já não era nada fácil ficava ainda mais complicada. Fui testemunha de fatos marcantes que ficaram registrados em minha memória, e nesse texto vamos lembrar de dez acontecimentos ou memórias da minha infância.


 

 

PRIMEIRA MEMÓRIA

A escassez de alimentos era a pior já vivida, em outras palavras, a fome. Com a saída dos maridos, muitas mulheres formavam um laço familiar com outra, geralmente uma parente próxima, para juntas amenizarem o sofrimento. Minha mãe, a dona FRANCISCA, fortaleceu esse laço de amizade e familiar com minha tia CONCEIÇÃO, que também já era mãe de duas meninas, mas com a sorte de não ter ficado grávida, pois seu marido, o senhor VÉI SUPRIANA, também havia viajado. Juntas, trabalhavam de diárias na ROÇA, sempre ao cair da tarde, já praticamente anoitecendo, minha mãe ia para cozinha preparar o que tinha para ser o jantar daquele dia: quase sempre era um mingau de arroz com farinha de puba ou um pirão de acará, que na maioria das vezes era ainda a primeira refeição do dia.

Minha tia CEIÇÃO tinha como missão levar as quatro crianças para o terreiro da casa, local onde havia uma areia branquinha, a lua começava a se levantar rompendo as matas de cajueiros que cercavam a casinha de taipa; e ali ela contava várias histórias e nós viajávamos longe. Entretanto, eu voltava rapidinho das minhas viagens, pois a barriga doía muito e, de vez enquanto, minha tia era interrompida com uma pergunta: “Tia, vai demorar muito pra a gente comer?” Lembro-me de que, na maioria das vezes, ela passava a mão nos olhos e, olhando em direção à porta da casa, esperando algum sinal, dizia “logo logo vai sair” e continuava as historinhas.

SEGUNDA MEMÓRIA

O ano era 1973, aconteceu um fato que marcou o pequeno povoado do CAL: o assassinato de um morador. Já era tardezinha quando a notícia se espalhou, em uma briga de arma branca com o , seu algoz, esse senhor levou uma facada bem abaixo do peito, golpe que acabou sendo fatal, este caiu em frente à casa do seu JOÃO ARMANDO. Naquele momento, o pequeno povoado todo parou para testemunhar esse acontecimento. O fato deixou uma viúva e mais quatro órfãs.

Até hoje lembro da real pobreza que era naquele tempo, pois quando alguém vinha a óbito, uma porta da casa do falecido era arrancada e usava-se quatro tamboretes, caso não houvesse, pedia-se emprestado na redondeza e colocava-se essa porta sobre os quatro tamboretes, um em cada canto. Sobre a porta estendia-se o corpo do defunto. Durante a noite toda, o corpo era velado sob muita REZA, CACHAÇA, CAFÉ e já pela manhã, às vezes, mas raramente, à tardezinha, os homens eram responsáveis pelo cortejo do enterro: trazia-se uma madeira, sempre um caibro de mangue, de três metros, amarrava-se a rede neste caibro, formando uma espécie de balancinha, e o corpo era colocado dentro dessa rede. Dois homens, um na frente e um outro atrás, carregavam a rede com o corpo, ruas a fora num cortejo de pessoas cantado e rezando atrás do morto.

Chegando ao local onde se realizava o sepultamento, o corpo era retirado da rede e enterrado somente com a roupa que estava vestido, e a rede era devolvida aos seus familiares, que sempre lavavam e a utilizavam novamente, tudo isso porque eram grandes as necessidades financeiras. Assim sendo, na maioria das vezes, nem dinheiro para comprar um caixão tinham, por isso era comum enterrar seus entes queridos diretamente na terra; somente os abastados, os donos de terras ou grandes comerciantes, poderiam ser velados e enterrados num caixão.

TERCEIRA MEMÓRIA

Em janeiro de 1974, outro fato veio marcar o povoado, a morte do senhor BENDITO PEDRO, o que marcou na verdade foi a forma de como isso aconteceu. Segundo as lembranças, ele tinha extraído um dente, no dia seguinte montou em seu cavalo e foi para o Cutia junto com o ÉDIL GALDINO. Nos solavancos da montaria daquele dia, juntamente com o sol escaldante e muito calor, uma temperatura acima de 40º, foi fatal. Lembro que ainda em cima do cavalo ele começou a passar mal e sangrando muito, foi colocado em baixo de uma árvore e o ÉDIL, sem saber o que fazer, deixou ele sozinho nessa árvore e veio para o povoado muito distante em busca de SOCORRO. Muita gente se mobilizou e foram em busca do senhor Bendito Pedro, mas ao chegarem ao local, ele já estava sem vida, deixando uma viúva e três filhos, além do sonho de trabalhar na construção da capital federal, pois sempre que podia passava na casa do ZÉ MARRECA, meu pai, para confirmar uma viagem que fariam juntos à BRASILIA.

QUARTA MEMÓRIA

O ano era 1975, surge em um povoado a notícia do CHUPA SANGUE. Na época já convivíamos com o medo da “MUIÉ CHORONA”, que sempre na sexta-feira a meia-noite saía nas veredas, na forma de uma mulher que carregava uma bacia na cabeça, um menino escanchado sobre ela. Essa mulher era perseguida por um cachorro negro, com olhos vermelhos, que tinha fogo em sua boca; de vez enquanto, ele mordia os calcanhares da mulher. Nesse momento, ela abria o berreiro, chorando, e quanto mais a pessoa corria mais ela se aproximava. Quando alguém ouvia seu choro longe, de repente a aparição estava bem próxima.

 Também nos atormentava a figura da “NUM-SE-PODE”, uma mulher que se encontrava à noite pelos caminhos escuros do CAL, à primeira vista era somente um bebê perdido, rapidamente ela já se tornava uma menina, e quando se olhasse novamente, ela continuava crescendo, crescendo e crescendo, até ficar gigante e cair sobre a pessoa. Havia também o lobisomem, que em noite de lua cheia quem tivesse cachorra parida podia se preparar que iria na madrugada receber a visita, e o lobisomem poderia de uma só vez comer todos os filhotes.

Naquela época, com tudo isso, o Chupa Sangue fez sua primeira vítima, porém, o que se sabe é que nunca se pode conhecer realmente quem foi a vítima, mas todos os dias aparecia alguém contatando que algum parente do seu fulano na noite anterior havia sido atacado pelo CHUPA SANGUE. Os relatos eram sempre os mesmos, dizia-se que a pessoa que andava pela noite era cegada por uma luz que, de repente, vinha de cima e a deixava encadeada; em seguida, uma espécie de rede era jogada do alto sobre a pessoa, que se enrolava toda, tentando escapar, mas cansada adormecia e quando era encontrada já estava sem uma gota de sangue. O nome sugestivo era CHUPA SANGUE, mentira ou verdade, esses acontecimentos eram o terror da época e ninguém queria mais sair à noite.

Certa vez, um senhor, que morava no Tatus e sempre gostava de por volta das 19:00 horas ou 19:30 sair de sua casa, que ficava próximo à antiga casa do seu CHICO ALCINO, e ir até o PORTO do TATUS tomar banho. Ele ia sempre sozinho e pelo caminho ia assoviando, pois era uma forma de espantar o medo, visto que antigamente havia poucas casas naquele caminho e o porto a noite era totalmente deserto.

Em um certo ponto do caminho, havia uma passagem sobre dois pés de cajueiro bem encorpados e, numa dessas suas idas ao rio tomar banho, alguns moleques, já quase rapazotes e sabendo de sua rotinha, preparam uma brincadeira que deu no que falar. Certa noite, já passava das dezenove horas quando lá vinha o protagonista dessa memória assoviando como quem tentava espantar o medo. Ao passar em baixo dos pés de cajueiro, lá do alto veio uma lanterna em seu rosto e em seguida uma rede, também lá do alto, foi jogada certeiramente em cima dele. O homem deu um grito de terror, e cai dali, cai daqui, gritado por SOCORRO e rolando no chão, até que conseguiu se desvencilhar da rede. Devido aos gritos dados por ele em direção a sua casa, o terror se espalhou ainda mais sobre o povoado.

No outro dia era manchete em os “pasquins” das fofoqueiras de plantão – “ontem à noite o CHUPA CABRA pegou seu LUIZ”, mas graças a DEUS ele conseguiu escapar. Muito tempo depois a história veio à tona, os dois rapazes, que agora não lembramos os nomes, haviam subido sobre as árvores e ficado esperando o seu alvo passar, no momento certo um jogou a luz da lanterna sobre ele e o outro abriu uma tarrafa sobre o pobre homem, tudo como era descrito pela imaginação do povo; essas pessoas nunca revelaram a verdade, caso contrário seriam homens mortos.

QUINTA MEMÓRIA

Era início de 1976, homens começam a abrir uma clareira vindo dos morros da Mariana em direção ao Porto dos Tatus. A notícia logo se espalhou, essa derrapada tinha um objetivo, espalhar sobre ela a rede elétrica, enfim, a energia estava chegando. Isso causou um grande alvoroço, pois diziam que era algo muito perigoso, os moleques escondidos das mães iam ver aqueles homens com roupas esquisitas e trepados naqueles postes puxando fios enormes, tudo era novidade. Quando terminaram as instalações das redes e a tão sonhada energia elétrica chegou, descobrimos que nem todo mundo poderia tê-la em sua casa, nessa época somente algumas famílias poderiam, ou seja, quem tinha dinheiro. Assim, poucas famílias do CAL, TATUS e no BAIXÃO puderam instalar energia em suas casas, pois ter luz elétrica era um privilégio e pouquíssimos desfrutavam dessa novidade.

 

SEXTA MEMÓRIA

Imagem ilustrativa


 

Com a chegada da luz elétrica, pouco tempo depois, no CAL, por intermédio de alguns moradores, a prefeitura de Parnaíba mandou instalar a primeira televisão pública para o povoado. Uma casinha foi construída onde cabia somente a televisão, uma espécie de cabine, havia uma janela com um balcão e uma porta ao lado, pela qual somente alguns moradores poderiam entrar e ligar a televisão, geralmente por volta das dezenove horas.

A cabine foi construída entre duas casas, onde hoje é casa do seu NILSON da NETE, e a casa do seu JUAREZ, onde atualmente mora a CHICA SUPRIANA. Lembro que ali, à noite, enchia de gente para ver essa novidade, era um ponto de encontro para os mais velhos, para o jovem que achava ali uma oportunidade para namorar, e para molecada brincar e correr.

Lembro também que na época o local era chamado de a praça da TELEVISÃO PÚBLICA. Mas essa TV causou tamanha discórdia, porque muita gente também se achava no direito de ligar e desligar a tal TELEVISÃO, e era um fofocaiada, era um disse me disse, um leva e traz; e a TV, Por fim, vivia mais no conserto do que em funcionamento. Certa vez, ela foi para o conserto e, infelizmente, nunca mais voltou, a CABINE dela ainda ficou lá por muito tempo.

 

SÉTIMA MEMÓRIA


imagem ilustrativa - A Rural

Sem a TELEVISÃO PÚBLICA e sem muitas novidades, a sensação da molecada era a RURAL do seu PACHECO, um homem de boas condições financeiras que morava no final do povoado TATUS. Na época havia comprado um carro que conseguia andar na areia, não necessitava de estrada, e ele usava esse carro para ir deixar e buscar suas filhas que estudavam em Parnaíba, não podemos esquecer a cor do carro, branco com azul.

Quando se ouvia o barulho do motor do carro, a meninada toda se alvoroçava, e ficava na espreita no lugar onde a terra era bem movediça e quando ela – a RURAL - passava nesse tipo de areia era o momento, saía menino de todo canto: de trás dos cajueiros, das moitas e corriam atrás do carro até alcançar e se pendurava em sua traseira, ficavam ali por um bom tempo, andando do lado de fora. Seu PACHECO e sua FAMÍLIA odiavam essa molecada. Recordo que ele tentava acelerar o carro para os meninos não o alcançar, mas era inútil, quando o carro passava em outro local com areia movediça ele era obrigado e reduzir a velocidade, essa era a hora de pular, e assim era todo o seu percurso. Seu Pacheco, depois de tudo isso, vinha falar com os pais da molecada, hora em que muita surra era aplicada, mas isso não dava em nada, no outro dia estávamos todos lá de novo e depois ainda ficávamos “mangando” daquele que não conseguia a tal “carona”.

 

OITAVA MEMÓRIA

Um ponto de encontro que marcou muito o povoado do CAL foi o poço público –instalado próximo à casa do seu CHICO VITALINO, onde hoje é o CLUBE DO MARRECO. Esse poço era uma espécie de chafariz, tinha uma bomba tipo mecânica, uma espécie do chamado carneiro, manuseava-se uma alavanca para cima e para baixo até que a água jorrasse. Homens e mulheres iam ao poço buscar água e, à noite, muita gente passava por lá, era um local cheio de encontros, sem muita confusão, mas com o passar do tempo o poço foi abandonado e ficou por lá durante muito tempo.

 

NONA MEMÓRIA

O ano era 1978, as máquinas aos poucos começaram a chegar em Morros da Mariana: tratores, mecânica, caçambas e muitos homens. Pronto, começaram os burburinhos, finalmente a tão esperada estrada ia começar a ser construída e as máquinas já foram logo trabalhando, o chão começou a ser literalmente rasgado, cajueiros e tantas outras árvores foram arrancadas. Homens, mulheres, crianças, meninos, velhos todos iam para a margem ver as máquinas trabalharem. Montanhas de resto de madeiras eram empilhados durante todo o percurso dos Morros aos Tatus. O povo carregava parte dessa madeira, o restante era colocada para ser queimada, foi uma revolução no povoado inteiro essa obra.

Quando estavam bem avançados os trabalhos, um dia pela manhã uma tragédia veio acontecer. Havia uma mulher conhecida por CHICA VAQUEIRA, que gostava de tomar umas, ela havia se embriagado e dormiu próximo ao canteiro de obras em que ficavam as máquinas; de manhã cedo, na saída do maquinário, ninguém havia visto a Chica Vaqueira e um dos tratores fatalmente passou sobre o seu corpo. Na época, os trabalhos ficaram paralisados por um bom tempo.

Outro fato que também mereceu destaque foi a do FORTE CAJUEIRO, a estrada já estava bem avançada e quase chegando no CAL, ali havia um cajueiro centenário e gigante. Na tentativa de derrubá-lo, um trator de esteira acabou fundindo seu motor, sem que nem abalasse as raízes da árvore centenária, foi pedido outro trator que, na tentativa, arrebentou a esteira e nada; solicitaram mais uma vez um novo trator e aí veio um turbo, digamos assim, que dessa vez o centenário foi ao chão, finalmente VENCIDO pelas máquinas.

 

DÉCIMA MEMÓRIA

Imagem ilustrativa


Finalmente chegamos na última memória desse “causo”. Em algumas casas já havia TELEVISÃO PARTICULAR, muitas famílias não tinham condições nem de colocar luz elétrica em casa, imagina uma televisão. Mas em outras famílias, em compensação, já havia televisão em preto e branco, pois a televisão chamada de “colorida” nem pensar. Então, à noite era aquela festa, muitas casas ficavam lotadas, vinha gente de todo lado assistir televisão, muitas eram até cordiais, já outras nem tanto.

Vinham homens, mulheres, crianças, rapazes, na hora da novela não podia dar um piu, se não no outro dia a mãe sabia e não podia ir mais. A casa do meu tio, o Véi Supriana, era uma dessas casas que tinha TV e vivia sempre cheia de gente. Quando terminava uma parte da novela vinha a propaganda, então a mulherada ficava comentando as cenas e o que poderia acontecer nas próximas partes a seguir.

Durante a novela das oito, todas as vezes em que terminava uma parte e entravam os comerciais, a primeira propaganda me chamava muito atenção e sempre era o mesmo comercial: uma mulher jovem muito bonita e bem vestida, de BLEIZER, com uma saia acima do joelho, vinha andando em uma sala bem grande e dizia assim: com esse novo “moldes” que eu estou usando - ela sentava numa cadeira atrás de uma mesa de vidro, aí só mostrava as pernas dela do joelho para baixo e a voz dela dizendo – Agora eu posso abrir, fechar e cruzar as pernas e não vaza nada. Eu achava aquilo interessante, mas ficava só na minha, caladinho. Até que um dia, de tanto ver e ouvir aquele comercial, não aguentei, a curiosidade foi maior. Na época, menino só podia sentar no chão, pois as cadeiras eram somente para os mais velhos; nessa noite de minha curiosidade, a casa estava lotada, eu sentadinho no chão com as chinelas havaianas na mão, até que entrou a bendita propaganda, todo mundo comentando a novela e quando terminou o comercial eu em voz alta perguntei: GENTE, UM MINUTO DA ATENÇAO DE VOCÊS, O QUE É E “PRA” QUÊ SERVE ESSE TAL DE MOLDES? Meu DEUS, o silêncio tomou conta geral da sala, podia se ouvir uma agulha cair e o canto do grilo, então, foi quando percebi que tinha acabado de fazer a maior besteira da minha vida, só fiz mais que depressa, levantar bater a poeira e achei rapidinho o caminho de casa.

imagem ilustrativa - Propaganda Absorvente Modess


No outro dia, eu ainda dormia quando a minha mãe bateu a mão no punho da minha rede e disse:

- Curumim saliente, sai dessa rede! Tu vai levar uma surra agora “pra” deixar de ser saliente.

Minha tia já tinha ido cedinho contar a ela da minha presepada e que ela quase morreu de tanta vergonha, era tradicional o jantar sair no máximo às 16 horas para, ao anoitecer, fechar a casa e ir para residência de alguém que tinha TV para assistir à novela da seis horas, das sete e a das oito horas; depois disso vinham os filmes, mas estes poucas eram as pessoas que assistiam, pois para muitos já era muito tarde, então, era hora de desligar a televisão, pois mesmo que não desligassem, quando era a meia noite saía tudo do ar, ficando apenas a lista na TV.

Enfim esses são alguns dos meus causos e memórias de minha infância no BAIRRO CAL.


ATT, João Batista Sales.                   

 

Ilha Grande – PI, 23 de Maio de 2021.

Carta Ilhagrandense.

Dos autores ao povo





                                                    

domingo, 25 de abril de 2021

SOBRE AS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

 





O que são Unidades de Conservação – Ucs APA E RESEX Delta do Parnaíba?

Antes de qualquer discussão sobre UC, precisamos contextualizar esse universo da política; ações para que chegássemos às unidades de conservação como temos atualmente.

Assim, precisam-se voltar às discussões no início de 1976, num trabalho denominado “Uma análise de prioridades em conservação da natureza na Amazônia”, que fundamentou a elaboração do Plano do Sistema Nacional de Unidades de Conservação do Brasil, publicado entre 1979 e 1982.

Na sequência das ações sobre conservação, em 1981, foi instituída a Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecendo como princípio, “a ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público”. Ainda em 1981, foi criado o Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA – e o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Que se consideram a base sobre o assunto e abrem caminhos para que outras ações pudessem acontecer nesse âmbito da conservação da Natureza como um patrimônio vivo e para o bem viver das pessoas nos territórios relacionados às UCs.

Deste modo as UCs, quando criadas,  têm como objetivos  garantir os atributos ecossistêmicos em uma determinada região, seja em áreas terrestres ou marinhas, buscando a manutenção socioambiental nesses lugares conforme o tipo de unidade de conservação criada.

Neste sentido, o Brasil conseguiu concretizar a aprovação da Lei nº 9.985, de 18 de julho 2000, instituindo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação o (SNUC), o qual abrange as unidades brasileiras, sendo, portanto, o instrumento legal das UC­­`s, tanto em questões de criação, implantação e controle, como no tocante à gestão destas (BRASIL, 2000). Esta Lei foi um grande passo para concretizar e proteger áreas naturais do País, território onde habita a maior concentração de biodiversidade do planeta.

O SNUC proporcionou uma grande integração no sentido de aglutinar todas as Unidades de Conservação, nos âmbitos, federal, estadual e municipal. A responsabilidade da concretização destes objetivos está na jurisdição do Conselho Nacional de Meio Ambiente, o qual deve acompanhar a implementação do SNUC, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio – o qual, desde 2007, assumiu a gestão das unidades de conservação federais até então sob a responsabilidade do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.   

Contudo, o SNUC tem ainda grandes gargalos futuros para sua real efetivação na prática, embora grandes passos já tenham sido dados, objetivando relações mais harmoniosas entre o meio ambiente e desenvolvimento social e econômico do Brasil. Questões como: assegurar a sustentabilidade financeira do SNUC; dotar o mesmo com pessoal, em número e qualificação adequados; providenciar a regularização fundiária das unidades de conservação, são pautas que ainda estão sendo resolvidas para sua consolidação.

Este mesmo Sistema dividiu as UC`s em duas categorias de uso: Proteção Integral e de Uso Sustentável, ficando classificadas como as de Proteção Integral: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque, Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre (BRASIL, 2000). Estas UCs de proteção integral são, em sua maioria, localizadas em ambientes de grande importância ecológica, tendo também uma fragilidade: a significativa intervenção humana sobre estas, que deve ter uma atenção e restrição especial do uso, tanto do ponto de vista do bem-estar da natureza como para não causar desequilíbrios nestes ambientes.   

As UCs de Uso Sustentável, por sua vez, são: Área de Proteção Ambiental -APA, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista -RESEX, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural (BRASIL, 2000). Nessas unidades, como o próprio nome sugere, é permitido o uso sustentável dos recursos naturais, desde que de forma controlada e monitorada, com preocupação de uso para as futuras gerações, como é caso das UCs APA e RESEX do Delta do Parnaíba.


Mapa da região do Delta, mostrando de verde o território dos municípios; de vermelho a área da APA; de azul a área da RESEX. 

        Exposto tudo isso, pode-se entender melhor os motivos de criação de duas unidades de conservação federais no Delta do Rio Parnaíba. Pretende-se ir mais afundo sobre as características que levaram criação da: Área de Proteção Ambiental – APA Delta, criada em 1996 e Reserva Extrativista - RESEX Marinha do Delta do Parnaíba, criada em 2000, através de decretos federais, após vários estudos, bem como a pedido das comunidades, para salvaguarda do patrimônio ambiental ou socioambiental, sociocultural e socioeconômico no território.

Sendo que as ações têm que ser de baixo impacto ao meio ambiente. Assim, é que quando se têm atividades “incompatíveis” com os objetivos das UCs criadas a partir das características do ecossistema, essas atividades socioeconômicas são gradativamente extintas desses territórios protegidos, pois elas colocam em risco toda manutenção do ecossistema qual a UC foi definida, conforme seu regime de gestão e de aspectos legais.

APA Delta do Parnaíba: é uma UC federal criada em 1996, tendo quase 25% do território composto por águas jurisdicionais e com uma população de aproximadamente de 360.000 habitantes (ICMBio, 2020). APA Delta do Parnaíba abrange três estados nordestinos: Ceará, tendo áreas dos municípios dentro da UC (Chaval e Barroquinha); Piauí, tendo áreas dos municípios dentro da APA (Cajueiro da Praia, Luís Correia, Parnaíba e Ilha Grande) e; Maranhão tem áreas dos municípios dentro da Unidade (Araioses, Tutóia, Água Doce, Paulino Neves). 



mapa mostra em destaque as 3 maiores ilhas do Delta do Rio Parnaíba: Ilha Grande de Santa Isabel, Ilha das Canárias e Ilha do Caju.

No interior da à APA Delta do Parnaíba encontram-se três outras UCs: APA da Foz do Rio Preguiças - Pequenos Lençóis, UC do estado do Maranhão que ocupa quase 40% de seu território; a Reserva Extrativista (RESEX) Marinha Delta do Parnaíba, UC federal, ocupando cerca de 9% do seu território e a RPPN Ilha do Caju, equivalente a menos de 0,04% de sobreposição. A região do Delta do Parnaíba possui vegetação de tabuleiros, restingas, manguezais, mata ciliar de várzeas e vegetação sobre dunas (IBAMA, 1999). A APA está localizada entre áreas de Cerrado e Caatinga, e é sujeita a forte influência amazônica na sua porção maranhense (KJERFVE & LACERDA, 1993).

Além disso, possui uma zona costeira constituída por um sistema contínuo de manguezais, com o aporte de grandes quantidades de água doce, provenientes de extensos rios e igarapés e altas variações de amplitudes de maré.

A pesca é fonte de saberes, fazeres, de alimento e renda para os moradores das comunidades da APA Delta do Parnaíba, que tem nessa atividade, a mais significativa atividade econômica e de fonte de renda para milhares de moradores nesse território dentro dos três estados CE, PI e MA.

Além disso, a pesca se caracteriza por ser principalmente artesanal e utilizar diferentes artes de pesca, conforme as regiões e recursos pesqueiros visados. É uma atividade tradicional, passada de pais para filhos, assim como os conhecimentos associados à sua prática e experiência, que estabelece uma relação intrínseca homem  e a natureza. Outras atividades tradicionais significativas como a agricultura familiar, a criação de animais, o extrativismo de sementes e frutos, também dependentes dos ciclos das chuvas, estão associados à subsistência e à segurança alimentar das famílias, muitas vezes complementando a renda de outras atividades como a pesca.

O funcionamento de portos, exploração de calcário, artesanato, desembarque e quebra de caranguejo, piscicultura e carcinicultura, salinas e empreendimentos de energia eólica também são atividades que ocorrem na UC. A APA Delta do Parnaíba faz parte do roteiro turístico Rota das Emoções, que abrange ainda o Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão. Esse roteiro integrado possibilitou uma ampliação do fluxo de visitação nessas unidades, no entanto, como toda atividade socioeconômica dentro de territórios sensíveis do ponto de vista ambiental, é preciso que seja feito um constante acompanhamento, pois existem conflitos e sobreposições com atividades tradicionais quando o turismo não é bem planejado e executado.    

Dunas e manguezais dividindo espaço em meio ao Delta.

Com essa diversidade de atividades, atores e ambientes na região que abrange a APA Delta do Parnaíba, têm diversos conflitos, jogos de interesses que muitas vezes sobreposições de atividades, ocasionando assim perdas para uns,  concentração de renda para outros e danos ambientais muitas vezes irreversíveis ao ambiente que é Delta do Parnaíba, pois o Delta é uma metamorfose de vida e transformações naturais pelas movimentações de sedimentos (areia, material orgânica) que vem descendo do Rio Parnaíba até o Atlântico, criando muitas dunas, ilhas e vida nesse imenso Delta. Deste modo, a necessidade de disciplinar as ações antrópicas nesse território ou criando UCs para conserva-lo.

Assim, é preciso participação de todos e todas na gestão do território, seja ele unidade de conservação ou em uma cidade. É chave que todos os entes, sejam eles: federais, estaduais, municipais e terceiro setor possam agir, participar, monitorar e fiscalizar.  Não só na temática de UCs, mas de todos os assuntos, necessidades que têm efeitos sobre a vida das pessoas e do meio ambiente.

Um exemplo que é preciso uma atuação firme da sociedade, que não teve-se, pois a APA Delta demorou 24 anos para ter seu instrumento de gestão base (Plano de Manejo). O plano que dará condições para uma melhor tomada de decisão, tendo somente sua elaboração concluída em 2019 e publicação em 2020. Sendo o que consta no SNUC é que UC tem 5 (cinco) anos para ter um plano após sua criação. No entanto, faltam recursos, pessoal, pressão social, etc.

Além disso, falta priorização sobre a pauta da política socioambiental brasileira.  Isso mostra que os desafios foram e serão enormes para conservação do território dessa UC, sendo fundamental uma participação ativa de todos para bem comum do território e das gerações futuras no Delta do Parnaíba.


Chegada dos pescadores no porto.

As Reservas Extrativistas – RESEXs são caracterizadas principalmente por ser uma área utilizada por populações tradicionais que praticam extrativismo, pesca  agricultura familiar e criação de animais de pequeno porte, seu objetivo é proteger os meios, modos de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade de forma equilibrada homem e a natureza.

Nesse contexto, para garantir a exploração autossustentável e a conservação dos recursos naturais renováveis tradicionalmente utilizados pelas populações extrativistas da região do Delta do Rio Parnaíba foi criada a Reserva Extrativista Marinha Delta do Parnaíba, através do Decreto S/N de 16 de novembro de 2000, sua área pertence aos municípios de Ilha Grande, Estado do Piauí, e nos Municípios de Araioses e Água Doce, Estado do Maranhão, sendo que 95% estão em áreas do maranhense e demais 5% em território piauiense.  Seu ecossistema característico é o manguezal e seus habitantes, vivem basicamente da extração do caranguejo uçá, da pesca artesanal, coleta de moluscos, da agricultura familiar, frutos,  turismo e criação de animais em pequena escala, pois não é permitido criações de animais de grande porte dentro de Resex, conforme o que consta na legislação. Mesmo tendo gado ainda dentro da Resex, pois era uma atividade econômica anterior a criação da UC. Assim, vem sendo feito discussões para uma diminuição gradativa do rebanho dentro da Unidade.


Estamos falando de uma região impar dentro do território brasileiro, o único delta em mar aberto das Américas, formado por mais de setenta ilhas, tendo uma fauna e flora singulares com espécies raras e endêmicas. Essas riquezas faz essa região receber quase 60 mil turistas/visitantes por ano, no entanto, as comunidades tradicionais da Resex ainda pouco se beneficiam desse turismo. Por isso, que a partir de 2018, as comunidades vêm buscando programar o Turismo de Base Comunitária – TBC, pode-se dizer que vários passos para esse desenvolvimento foram e serão dados, bem como de outros vários arranjos produtivos como: cata do caranguejo, pesca, cata de moluscos e extrativismo vegetal precisam de uma atuação pesada do poder público para fortalecer os arranjos, dando assim condições e ampliando a efetivação dos objetivos do território criado para as pessoas que vivem nesse espaço protegido.

Imagem ilustrativa de loteamento dos empreendimentos Pure Resorts para a praia do Cutia (2016). https://tribunadonordeste.com/pure-resorts-parnaiba-mudara-historia/

No entanto, a Resex por estar em uma região de muitas belezas tem chamado atenção de algumas especulações de várias forças que visualizam a UC como algo ruim, pois sabemos quanto área/pauta socioambiental vem sofrendo com atual modelo de Governo Federal vigente. Até tendo fala e ações do mandatário do Ministério do Meio Ambiente – MMA que seria o momento e “passar a boiada” diante do cenário de pandemia sobre mudanças na legislação socioambiental. Isso por si só, mostra quanto tem de desafios sobre como efetiva UCs no Brasil e evidenciando esses territórios como fontes de vida para as presentes e futuras gerais, seja no do Delta do Parnaíba ou em outro recanto do Brasil.

Um detalhe diferente das APA´s, a gestão das RESEX é feita em cogestão com ICMBio, através do conselho deliberativo da Unidade, que é diferente do Conselho de uma APA, que é meramente consultivo. Além disso, os comunitários através da Associação Mãe da Resex do Delta – AMAR Delta, atualmente são detentores do Contrato de Concessão do Direito Real de Uso – CCDRU, assinado em 2018 pelo o ICMBio e AMAR Delta.

Esse contrato permite mais responsabilidades ao território, bem como mais segurança que o território continuará sendo para as comunidades tradicionais. Outra característica importante das RESEXs é que não existe propriedade privada dentro do território, todo o território é de domínio público para usufruto dos moradores locais da UC de forma sustentável.

Além disso, a assinatura promoveu a regularização fundiária para as populações tradicionais, permitindo o acesso às políticas públicas e aos programas públicos e segurança para realização de benfeitorias voltadas à produção.


 Deste modo, é necessário criar vários instrumentos de gestão para o território. E mais importante é que esses instrumentos são construídos pelos próprios comunitários, extrativistas. Isso não é uma atividade fácil dentro de uma realidade que falta recursos financeiros e humanos para uma efetiva cogestão do território. Atualmente dentro da Resex do Delta do Parnaíba tem regramentos sobre: tamanho dos pescados que podem ser capturados, tamanho do caranguejo pode ser catado, ostra, definições de certos locais para pesca somente com um apetrecho, limitação da prática do esporte do kite surf dentro da Resex, que é proibido por meio de resolução do conselho deliberativo, é proibido que lanchas, barcos passe em alta velocidade próxima dos portos das comunidades, através de portaria pública pelo ICMBio.

Isso tudo, pensando na manutenção dos recursos naturais e modo de vida dos moradores locais, pois a UC foi criado para viabilizar a conservação e uso autossustentável dos recursos pelas comunidades tradicionais e extrativistas.

Além disso, se Delta do Parnaíba ainda se encontra “conservado” é pelo fato que existe duas UCs nesse território: APA e Resex Delta do Parnaíba, para, além disso, têm-se centenas de comunidades que dão vida e buscam do seu jeito de ser, de realizar suas atividades e viverem de modo mais equilibrado com a natureza.  

Pode-se ter certeza, sem essas UCs criadas há mais de duas décadas, o Delta do Rio Parnaíba seria algo “feio” e espaço para poucas comunidades tradicionais. Como já mencionado, desafios existem. Isso demanda uma participação ativa da sociedade para cobrar e fortalecer lutas em defesa da vida e da natureza. Sem natureza conservada, não teremos vida humana. Cuidar da nossa “Casa Comum”, do planeta terra é algo urgente!

Escrito por: LUCIANO GALENO, Turismologo, Conselheiro das UCs APA e Resex Delta, Educador Social - CPP e Associado da ONG Comissão Ilha Ativa - CIA.


Ilha Grande – PI, 25 de abril de 2021.

Carta Ilhagrandense.

Dos autores ao povo


domingo, 4 de abril de 2021

ITINERÁRIO ANUAL DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

 

ITINERÁRIO ANUAL DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Igreja Matriz - Paroquia Nossa Senhora da Conceição.


Enquanto paroquiano pertencente à Ilha Grande de Santa Isabel, não se pode seguir viagem ou iniciar qualquer diálogo sobre a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, criada em 29 de novembro de 1985 através do Decreto Episcopal, sem percebermos a imagem de um Padre amigo, irmão e pai: Padre Pedro Quiriti (In memoriam) que quis proporcionar aos seus paroquianos uma experiência significativa com Jesus Cristo a partir da vivência da caridade, mesmo antes de assumir como primeiro pároco. Fato este, percebido nos quatro cantos da Ilha Grande de Santa Isabel, onde se encontram as comunidades com suas casas de orações (São José, Boa Vista, Alto do Batista, Vazantinha, Santa Isabel, Alto do Moreno, Barro Vermelho, Ilha da Batatas, Canto do Igarapé, Labino, Bom Jesus, Pedra do Sal, Nossa Senhora da Luz, Baixão, Cal, Tatus e Matriz), mantendo assim, a unidade de Ilha tão desejada pelos líderes do movimento pela emancipação política de Ilha Grande, município no qual, fica localizada a Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

832. “A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores, recebem, também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas [...]. Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor [...]. Nestas comunidades, ainda que muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica”.

                                                                                             (Catecismo da Igreja Católica)

Padre Pedro Quiriti deixa escrito no Livro Tombo da Paróquia uma carta aberta dividida em 18 parágrafos, escrita em 30 de junho de 1997, onde expressa seu desejo de transmitir o ensinamento de Jesus a todos os lugares da Ilha Grande de Santa Isabel, e para esse fim, constrói “casas de orações” para que o povo tivesse um lugar onde se encontrar e discutir, dialogar e programar a própria vida, como ser humano e cristão. Atualmente são 17 comunidades,15 capelas e a Matriz, apenas a comunidade Cal não tem capela, mas é tão atuante quanta as demais, pois divide sua participação com as comunidades Tatus e Baixão, dessas, 03 (São José, Boa Vista e Nossa Senhora da Luz) tiveram suas casas de orações construídas na administração de outro homem de Deus a quem temos também o maior respeito e consideração, pois ele muito colaborou com a nossa paróquia, dando continuidade a vivência da caridade e nos fazendo perceber a realidade que é Jesus em nossa vida: Padre Vittório Ferrari.

“Como cristão me preocupei em transmitir o ensinamento de Jesus a todos os lugares da Ilha Grande. Assim, em todos os povoados desta Ilha, construí casas de orações para que o povo tivesse um lugar onde se encontrar e discutir, dialogar e programar a própria vida, como ser humano e cristão.”

       (Pe. Pedro Quirit)

Em uma das falas de Padre Pedro escrita na Carta Aberta ao povo da Ilha Grande, ele expressa grande emoção quando fala de uma de suas construções:

“Como missionário agradeço de todo coração a Deus, que quis que me tornasse um devoto de sua Mãe Santíssima no meio deste povo, construindo para eles e para o estado do Piauí, um santuário dedicado à Mãe dos Pobres e Senhora do Piauí [...]”

                                                                                          (Pe. Pedro Quirit)

 É com essa emoção e esperança que é iniciado o itinerário anual da paróquia com o tríduo em honra à Nossa Senhora Mãe dos Pobres e Senhora do Piauí que acontece de 12 a 15 de janeiro para celebrar o dia da entronização da Imagem no alto do morro na manhã radiosa do dia 15/01/1989, sendo aquele dia o 56º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora Mãe dos Pobres em Banneux (Bélgica). São três dias de muitas graças e bênçãos que conta com a participação de paroquianos de todas as comunidades, devotos de outras cidades e visitantes de outros estados e países.

 Coincidência ou não a segunda festa e primeiro novenário do ano acontece na comunidade da luz que tem como padroeira: Nossa Senhora da Luz (também chamada de Nossa Senhora das Candeias), segundo os paroquianos mais experientes, a primeira imagem a fazer parte da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi uma imagem de Nossa Senhora da Luz. A Festa acontece quarenta dias após o nascimento de Cristo, sendo celebrada, portanto, no dia 2 de fevereiro. A capela lá existente surgiu do esforço conjunto dos moradores da localidade, que viam a necessidade de um local para a realização de encontros de catequese, ainda na administração de Padre Vittório Ferrari, que sempre quis estar presente construindo junto com a comunidade e sempre muito cuidadoso nos detalhes das construções.

Além dos festejos nas comunidades são valorizados os tempos litúrgicos anuais, em especial, a época considerada a mais importantes pela Igreja, que representa para os fiéis um momento de preparação espiritual para a Páscoa: a Quaresma. Além das celebrações que acontecem mensalmente, as comunidades são convidadas a realizarem a Via Sacra todas as sextas-feiras. É o momento também, que muitos jovens além de se prepararem espiritualmente, se preparam para apresentarem nas ruas da cidade a encenação da Paixão de Cristo (devido à pandemia, no ano de 2020 não aconteceu a encenação). É um momento que atrai paroquianos de todas as comunidades próximas à Matriz, o qual, ainda não sabemos se será realizado no ano de 2021.

A paróquia segue caminho com seus novenários, trazendo a presença de São José Operário, festejado na comunidade São José no dia 01 de maio, dia do trabalhador. Completando assim, a Sagrada Família, com o desejo de que a caminhada de todas as famílias seja fortalecida. Essa comunidade fica localizada na zona rural da cidade de Parnaíba e teve uma atenção especial na administração de Padre Vittório Ferrari que organizou um local de encontros para aquelas famílias, que a partir de então, deixaram de celebrar na escola da localidade. No ano de 2020, Papa Francisco convocou para um Ano especial dedicado a São José, que se realizará do dia 08 de dezembro de 2020 a 08 de dezembro de 2021, sendo portanto, um ano mais que especial para aquela comunidade.

O mês de Maio como sempre é um momento forte de caminhada e oração para todas as famílias que se organizam e celebram o mês de Maria com a reza do terço, compartilhando a Palavra de Deus e cantando canções marianas nas casas de alguns católicos que desejam receber a imagem de Nossa Senhora e assim, aceitá-la até a noite seguinte, quando vários adultos, jovens e crianças se reúnem para levar o andor com a imagem e entregá-lo à nova família.  Além desse momento mariano forte, todos os fiéis são convidados a celebrarem todas as manhãs de sábado no Santuário da Mãe dos Pobres e Senhora do Piauí. Seguindo viagem, o caminhar chega à comunidade Barro Vermelho, onde é celebrado o tríduo de Nossa Senhora de Fátima que tem sua festa dia 13 de maio.

Capela Baixão 
Foto: Caio Soares


O mês de Maria continua nas comunidades Baixão e Cal, que antes eram as primeiras a realizarem o novenário (segundo o relato de uma antiga moradora presente em uma reunião onde Padre Pedro falava: “Que coincidência divina, as festas da paróquia iniciam com Maria e terminam com Maria.”). Isso porque, quando ainda na época de Padre Pedro o primeiro festejo era em honra ao Imaculado Coração de Maria e o último era e ainda é em honra a Nossa Senhora da Conceição. As comunidades festejam o Imaculado Coração de Maria sempre no último domingo do mês, a imagem da padroeira foi trazida por Padre Pedro que doou-a à comunidade. O festejo atrai pessoas de todos os lugares, lhes proporcionando nove noites de celebrações, onde é percebido grande alegria das pessoas envolvidas, principalmente, moradores das comunidades Baixão e Cal que tornam a festa ainda mais bonita. A comunidade também tem como co-padroeiro, São Leopoldo Mandic, o qual, traz muitas lembranças de Padre Pedro que se demonstrava muito próximo, por ter tido o privilégio de conhecer pessoalmente e receber o sacramento da reconciliação (ou penitência) por meio dele. É realizado um tríduo em homenagem a São Leopoldo Mandic no mês de outubro, tendo o seu encerramento dia 17.


Capela Santo Antônio - Vazantinha
Foto: Rafael Viana

O mês de junho proporciona aos paroquianos um caminhar maravilhoso, onde se maravilham com as belezas deixadas por nosso Criador, e assim, são acolhidos na comunidade Vazantinha que festeja o padroeiro Santo Antônio no dia 13, trazendo devotos de várias localidades. São nove noites de muitas graças e bênçãos, encerrando a festa com uma linda procissão. Daqui o caminhar segue viagem para a comunidade Ilha das Batatas que realiza seu tríduo também em honra a Santo Antônio, encerrando a festa dia 16 de junho.

Celebrar o nascimento é sempre muito importante e quando se trata do nascimento de São João Batista, aquele que abriu caminho para Jesus Cristo, se torna ainda mais especial e essa festa acontece na comunidade Alto do Batista, tendo seu encerramento no dia 24 e proporcionando aos seus moradores momentos de alegria e encontro.

Igreja de São Pedro - Tatus


A próxima beleza a ser percebida neste mês de junho é a da comunidade Tatus, onde são celebradas nove noites do Santo considerado o chaveiro do céu: São Pedro. Esta comunidade divide sua alegria com a comunidade Cal, proporcionando aos participantes momentos de muitas alegrias sempre na presença de Deus. A comunidade que antes vivia da pesca e da agricultura, hoje, vive principalmente do turismo, sendo porta de entrada para o Delta do Rio Parnaíba por meio de seu porto, de onde saem as embarcações pertencentes às agências de turismo das cidades de Parnaíba e Ilha Grande. Para o dia da festa as embarcações são cedidas por algumas agências de turismo para a realização da procissão fluvial, em forma de agradecimento pelo bom ano de viagens com seus visitantes aos pontos turísticos mais próximos.

Bom Jesus dos Navegantes - Comunidade Pedra do Sal
foto: Voz de Ilha Grande


Começando o mês de julho na comunidade Pedra do Sal, os paroquianos apreciam mais um cenário maravilhoso criado por Deus, que revigora as energias para festejar o padroeiro Bom Jesus dos Navegantes, com nove noites de muitas alegrias e bênçãos, tendo encerramento com procissão por terra e/ou embarcado no dia 11.

Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Pobres 
Foto: Rafael Viana

Os caminhos a escolher são vários, mas só o caminho do Bem mostra-nos a essência da vida: Deus. O zelo missionário, a preocupação pela limpeza e estruturação dos templos sagrados e seu amor pelos mais necessitados, fez com que Padre Pedro Quiriti (in memoriam), recorresse a amigos influentes de sua terra – Itália e construísse um Santuário em um morro frontal à praça principal da cidade. Ali encontra-se uma belíssima imagem de Nossa Senhora Mãe dos Pobres que chegou de Milão como presente ao povo da Ilha e passou a ser também a Senhora do Piauí. É festejada por devotos vindos de várias paróquias vizinhas, estados e países. O novenário acontece do dia 21 a 30 de julho, é um momento maravilhoso de graças e bênçãos, onde é vivenciado a alegria de ser cristão.

A caminhada continua pela comunidade Alto do Moreno que tem como padroeiro São João Batista que através do martírio, deu sua vida e recebeu em recompensa a Vida Eterna reservada àqueles que vivem com amor e fidelidade os mandamentos de Deus. O dia da festa acontece em 29 de agosto e é vivenciada com grande alegria por todos da comunidade.

Ao chegar em Boa Vista, primeira comunidade a receber a atenção especial de Padre Pedro Quiriti ao pisar em terras ilhagrandenses em 1983 e que com o passar do tempo passou a contar com a atenção e carinho de Padre Vittório Ferrari. É percebido o respeito e o carinho aos citados padres, principalmente, ao Padre Vittório Ferrari que ganhou uma vila de casas que leva o seu nome. É importante ressaltar que o terreno onde encontra-se a vila, foi uma doação de Padre Vittório. A comunidade festeja o padroeiro São Vicente de Paulo no dia 12 de setembro.

Capela São Miguel - Comunidade Bom Jesus - Labino
Foto: Fanca


Uma das mais novas comunidades a fazer parte da paróquia é Bom Jesus, onde se encontra uma capela de propriedade particular da família Silva, que desde o ano de 2017 com a chegada de Padre Henrique, foi assumido por ele o compromisso de celebrar uma vez por mês, e assim, os moradores do bairro participam com muita alegria da vida em comunidade desde então. Tem como Padroeiro São Miguel, que ali é festejado com um tríduo que se encerra no dia 19 de setembro. É um momento de encontro e alegria dos moradores das comunidades Labino e Bom Jesus.

Ao seguir viagem partindo de uma nova comunidade chega-se ao Canto do Igarapé, que tem em sua história a força de um povo trabalhador e unido por dias melhores. A comunidade possui uma das capelas mais antigas da paróquia com registro de 1958 e seu padroeiro é São Miguel Arcanjo festejado dia 26 de setembro, atraindo devotos de vários lugares e reunindo pessoas que vivenciaram bons momentos nessa localidade.

Capela São Miguel Arcanjo - Canto do Irapé 
foto: Rafael Viana


Finalizando o mês de setembro é iniciado o mês de outubro com o festejo em honra a São Francisco padroeiro da comunidade Labino, que realiza sua festa no dia o4 com a presença marcante da juventude. A festa atrai devotos de vários lugares.

Igreja Santa Isabel - Comunidade Santa Isabel 
Foto: Rafael Viana


A Ilha Grande de Santa Isabel traz em seu nome a padroeira da Comunidade Santa Isabel, que além de padroeira da comunidade, recebe o título de padroeira de toda a Ilha. A Capela é a mais antiga da paróquia com registro de conclusão no ano de 1944 e tem seus festejos realizados de 26 de outubro a 05 de novembro, é uma grande festa que atrai devotos de todas as comunidades da paróquia e paróquias vizinhas. Tem ainda como co-padroeiras Nossa Senhora da Cabeça e Santa Luzia, sendo celebradas respectivamente em 18 de agosto e 13 de dezembro com a participação de muitos devotos.

E por fim chega-se à Matriz, lá onde até meados do ano de 1940 havia uma capelinha que resolveram ampliar com a ajuda da comunidade local, sendo construída uma outra maior e voltada para o lado oposto à anterior, ou seja, para a entrada principal do povoado, tendo sua inauguração no ano de 1946. Encontramos nessa linda Matriz a padroeira da paróquia: Nossa Senhora da Conceição. Atualmente foi realizada uma reforma significativa onde, preservou-se a sintonia entre as cores do piso e o forro da Igreja, o que arrancou lágrimas de emoção de pessoas que haviam percebido o resgate dessa sintonia já existente em tempos passados. O belíssimo trabalho foi realizado na administração paroquial de Padre Heinrich Wilhelm Hegemann que tem origem alemã e encerra assim, o ciclo de atuação de párocos estrangeiros, ele esteve pároco de julho de 2017 a fevereiro de 2021, período em que foram realizadas reformas significativas em vários prédios da paróquia. A partir do dia 13 de fevereiro deste ano, assumiu como pároco Padre Eduardo Furtado que é natural da cidade de Piripiri e estará à frente da paróquia por 6 anos.   Sua padroeira Nossa Senhora da Conceição é festejada de 28 de novembro a 08 de dezembro, momento em que se reúnem visitantes e devotos de todas as 16 comunidades, encerrando assim, um itinerário anual cheio de esperança da presença de Deus na vida de cada família da Ilha Grande de Santa Isabel e do mundo inteiro.

Desde março de 2020 essas vivências de alegrias comunitárias tem sido interrompida pela pandemia da COVID-19, mas a alegria de ser cristão permanece viva. A paroquia celebrou a Páscoa de forma diferente, se adequando ao momento em que vivemos, criando para sim as mídias sociais que têm ajudado os paroquianos e pessoas de origem ilhagrandense a se aproximarem ainda mais. Para isso, foi criada uma equipe de transmissão formada pelo professor Jair Cunha e Jeferson Araújo (comunidade Cal), professor Carlos Ribeiro e seus filhos Caio Soares e Arthur Soares (comunidade Baixão). Em julho foi realizado o novenário de Nossa Senhora Mãe dos Pobres e Senhora do Piauí de forma virtual e presencial obedecendo todos os cuidados necessários de prevenção à COVID-19. Foi admirável a participação de todos os devotos. O mesmo aconteceu com a festa da padroeira para encerrar o ano de 2020. O itinerário anual de 2021 já iniciou com o tríduo de Nossa Senhora Mãe dos Pobres e Senhora do Piauí ainda de forma virtual, sendo que o momento é de cautela, mas a paróquia continuam mais do que nunca, unida em oração para que tudo isso passe logo sem causar perdas às famílias e possam assim, seguir o itinerário anual como era antes.

Cristo é a nossa paz!



 

Carlos Antonio Ribeiro dos Santos

Especialista em Docência na Escola de Tempo Integral (UFPI)

Licenciado em Pedagogia (UESPI) 

REFERÊNCIAS

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO. DIOCESE DE PARNAÍBA: informação e documentação: referência-elaboração. Ilha Grande do Piauí, 2021.

Santa Sé/ Catecismo da Igreja Católica. Brasília, Edições CNBB. 2013.


  Ilha Grande – PI, 04 de abril de 2021.

Carta Ilhagrandense.

Dos autores ao povo.